FERNANDO FARO, O DA VINCI DA TV BRASILEIRA

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Fernando Faro morreu dia 25 de abril de 2016, aos quase 89 anos. Fará gigantesca falta a tv brasileira e a música popular brasileira! O que ele produziu, comparo a produção de Leonardo Da Vinci porque se não foi tão grande quanto a de Da Vinci, foi hiper significativa para a cultura e arte brasileira. O triste é constatar que muitos brasileiros nem conhecem Fernando Faro, ou nunca nem assistiram sequer um único progranma Ensaio. Isto ocorre porque a política midiática brasileira de última categoria, esconde, omite o que é altamente significativo para nós e divulga exaustivamente o que nunca deveria divulgar. A maior emissora deste país pratica crimes inomináveis e talvez um dos maiores seja não ter cooperado com Fernando Faro, para que sua  arte magnífica adentrasse muitos milhões mais, de lares brasileiros. A recepção do canal da Tv Cultura onde Faro tinha seu programa, é péssima, para quem não tem tv por assinatura ou antena parabólica, por outro lado a recepção dos sinais da tv global é muito boa, até e inclusive, a tecnologia deixa  a desejar  quando se trata de divulgar a nossa grande arte musical que Faro conseguiu  expressar com sua arte magnífica, das luzes e sombras no estúdio que para ele era seu atelier, onde seu trabalho sensível e belo pode ir além e expor a arte de centenas de artistas brasileiros!

Eu sempre dizia que queria ser Fernando Faro quando crescesse, já cresci um pouquinho, mas ainda não desisti de conseguir ser só um pouquinho parecida com Faro!!

Nadia Gal Stabile – 27 04 2016

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Fernando Abílio de Faro Santos (Aracaju, 21 de junho de 1927São Paulo, 25 de abril de 2016), conhecido como Fernando Faro, foi um produtor musical brasileiro, criador do programa Ensaio, da TV Cultura.[1] Faro, apesar de ter nascido em Aracaju, foi criado em Salvador. Mudou-se para São Paulo para estudar Direito no Largo São Francisco. Em pouco tempo desistiu do Direito e começou a trabalhar como repórter para publicações como “A Noite” e “Jornal de São Paulo”. No anos 1960 levou peças de teatro para a Rádio Cultura no programa “Ribalta”, antes de migrar para a TV Paulista.Além da TV Cultura, Faro teve passagens por canais como TV Tupi,Rede Globo, Rede Bandeirantes e Rede Record. [2]

Desde a década de 1960, criava e produzia shows e programas de TV para artistas como Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Elis Regina e Gal Costa. Foi Faro quem idealizou o tom documental do programa Ensaio, que priorizava close-ups no rosto e em partes do corpo dos entrevistados. Ficou famoso também por incluir, de forma simpática, os erros de gravações na edição final.[3] Em 2007, para comemorar os 80 anos de Faro, a Fundação Padre Anchieta lançou sua biografia, “Baixo”, cujo título é uma referência ao termo usado para chamar qualquer um à sua volta: “Ô, baixo!”. O apelido Baixo foi dado por Cassiano Gabus Mendes pela sua altura que era 1,65 e pela fala tranquila. [4]

Faro morreu em 25 de abril de 2016, aos 88 anos,vitima de uma infecção pulmonar após ficar internado por 3 meses.Faro foi sepultado no Cemitério do Araçá.[5] .[6]

https://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Faro

Fernando Faro deixou imenso legado de documentação histórica da MPB

Jotabê Medeiros
Colaboração para o UOL, em São Paulo – 25/04/2016

http://musica.uol.com.br/noticias/redacao/2016/04/25/fernando-faro-deixou-imenso-legado-de-documentacao-historica-da-mpb.htm

Um voz inaudível ao fundo fazendo uma pergunta, um sorriso do entrevistado, uma pausa, uma música à capela para explicar, o som do eco no estúdio compondo a cena, a respiração nervosa ou aliviada do respondedor, close no rosto à moda do faroeste espaguete. O programa “Ensaio”, de Fernando Faro, mostrou à TV que a gentileza, a paciência, a delicadeza, o conhecimento sem vaidade e a própria arte são também pertinentes à atividade jornalística, e assim ajudou a desvendar todo um universo afetivo da música popular brasileira.

O criador dessa fórmula de artesanato dentro da indústria, Fernando Faro, o Baixo, morreu na madrugada desta segunda (25) em São Paulo, aos 88 anos. Era um homem da mais tranquila integridade: funcionário da TV Cultura, uma vez escreveu um artigo chamando o recém-chegado novo presidente da emissora, João Sayad, de “cabeça de planilha”, e nem assim foi demitido. Abandonou o curso de direito no terceiro ano da São Francisco (faculdade de direito da USP) para seguir o jornalismo. Na sua infância na TV, encenou Salinger e Beckett no programa “Móbile”, que desafiou paradigmas e preconceitos para abrir caminho para uma linguagem nova.

Arquivo pessoal

Da esq. para a dir., o jornalista e produtor Fernando Faro (sentado), os músicos João do Vale, Fagner e Chico Buarque, em imagem do início dos anos 1980

Sua importância para a documentação histórica da MPB é imensa, uma documentação que reúne cerca de 800 entrevistas e passa de Herivelto Martins a DJ Dolores, de Paulinho da Viola a Edvaldo Santana, Filipe Catto e Céu. Seu programa de TV surgiu na TV Tupi em 1969, já como “Ensaio”, depois migrou para a TV Cultura.

Baixo, sergipano de alma e gestos budistas, andava tão lentamente quanto falava. Seus olhos de um azul caramelado criavam instantânea cumplicidade com o interlocutor, e sabia tudo de música, o que tornava tudo mais fácil nos contatos com os artistas: eles não vinham para divulgar nada com Faro, eles vinham para entregar tudo.

Mas Fernando Faro era doce, só que não era Polyana. Colocava também os entrevistados na parede. Frente aos temíveis Racionais MC’s, perguntou: “Vocês conhecem Wilson Batista?”. Dois deles responderam: “É samba-rock? A gente conhece Jorge Ben, Bebeto, Luis Vagner”. Ele forçava assim a convivência entre semelhantes de mundos diferentes, trazendo Cartola e Lecy Brandão para amantes do rock oitentista, e vice-versa. Preconizou uma unidade pelo afeto.

Fernando Faro produziu discos de Baden Powell e o entrevistou três vezes no seu programa. Produziu shows do Projeto Pixinguinha da Funarte. Chamava Cristina Buarque de Hollanda de “Cristininha”. Chico Buarque levou Taiguara para ser entrevistado por ele de fusca. Penou quando pegou um monossilábico Milton Nascimento para entrevistar –Milton só respondia “é” ou “não”, mas depois se soltou. Tim Maia chegou adiantado para a sua entrevista, quebrando um protocolo famoso. Dirigiu Aracy de Almeida, Vinicius e Toquinho, Eduardo Gudin.

Teve seus fracassos, como na gestão do Museu da Imagem e do Som, que não foi memorável. Passou por quase todas as emissoras de TV existentes, e angariou respeito em todas. Foi publicitário a contragosto, foi repórter de polícia e de Geral. “Teve uma vida produtiva e honrada, mudou o jeito de apresentar a música na TV, abriu espaço para novos talentos, construiu uma rede de amigos impressionante. Houve quem ignorasse seu papel e relevância, mas, a estes, só cabe algum espaço na lata de lixo da história”, disse hoje o jornalista e cineasta Paulo Markun.

O inventário da relevância do acervo das intervenções de Faro na MPB ainda está por ser feito. Há uma história contada por seus protagonistas, sem máscaras ou truques, e isso é um legado inestimável. Ele declarou, em entrevista à “Folha de S.Paulo”, em 2001, que sua ideia partia do diagnóstico de um campo de futebol numa transmissão pela TV (ele também amava o futebol). “Pegue uma imagem geral de um campo de futebol. Parece que são um bando de marionetes. Os caras não têm rosto, não têm nada. Então, pensei tudo que eu fizer será, no máximo, com plano americano. De resto, só closes. Havia também uma filosofia de chegar muito próximo à pessoa a ponto de ela não ser mais ela, ser uma voz, um depoimento. Além do mais, quando você assiste a um show, vê os olhos as mãos, a boca do artista. Segui isso ao extremo. A pessoa desaparece, fica só a história”.

 

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